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  • Morfologia de um eclipse (ou a paixão segundo Arjuna)

    Morfologia de um eclipse (ou a paixão segundo Arjuna)

    Repara dentro de si, espírito ninfeu!
    As brumas de espinho revelam amor,
    As rosas negras que se parecem dor,
    O perfume de vida que exala do heu.

    Faça-te sol na minha tempestade!
    Encontre em ti o espírito que é meu,
    A lâmina que o próprio destino teceu:
    Védicos encantos que uivam verdade.

    Como homem, sou destruidor de mundos;
    Como amante, o reinventor da realidade.
    Vivo para tocar o que sempre procuro:

    A volúpia nua dos teus lábios de deidade.
    Sou seu candeeiro que habita o escuro
    E a luz que busco é sua etérea beldade.

    A distância te leva à alcatéia das feras,
    Mas sou a prata que lhe devolve a humanidade.